Cultivo de Jabuticabeiras

Você tem uma jabuticabeira em casa? Não tem certeza como manter sua jabuticabeira saudável e produzindo frutos? Veremos tudo isso nesse artigo.

 O nome Jabuticaba tem origem indígena, da língua Tupi, cujo significado gira em torno de algo como “alimento do jaboti”, ou “gordura de jaboti”.

 

A jabuticabeira é uma árvore brasileira, nativa da Mata Atlântica, de floresta pluvial e aluvial – ou seja, é apaixonada por água. Existe uma certa confusão na classificação botânica de espécies de jabuticabeira, mas podemos citar três das mais comuns, sendo a Jabuticaba Paulista ou Jabuticaba Açu (Plinia cauliflora), a Jabuticaba de Cabinho (de nome científico Plinia peruviana var. Trunciflora), e Jabuticaba Sabará (Plinia jaboticaba¹), atualmente uma das mais populares.

 

VARIEDADES

De acordo com a literatura, as variedades de jabuticabeira mais cultivadas são: a ‘Paulista’, a ‘Sabará’, a ‘Branca’, a ‘Rajada’, e a ‘Ponhema’.

 

Paulista

 A variedade Paulista de jabuticaba (Plinia cauliflora) é uma árvore de grande porte, podendo chegar entre 12 a 20m de altura, com alta capacidade de produção, possui frutos com casca grossa e amadurecimento tardio.

(Foto: Loucos por jabuticaba)

 

Jabuticaba de cabinho

Trata-se de uma espécie, e não variedade. Embora haja pouca informação a respeito da caracterização dessa espécie, aparentemente a jabuticaba de cabinho (Plinia peruviana var. Trunciflora) possui características similares à variedade Paulista, apresentando maior pedúnculo e possuindo maior teor de substâncias antioxidantes. (Foto: Colecionando frutas)

 

Sabará

A jabuticabeira Sabará (considerada em alguns registros como Plinia cf. jaboticaba, possivelmente sinônimo de P. cauliflora) tem crescimento lento, pode atingir alturas entre 10 a 12 metros, possui frutos pequenos, bastante doces e com casca fina, em comparação com a jabuticaba paulista. (Foto: Jardim Exótico)

 

Branca

A jabuticabeira branca (Trata-se na verdade de uma espécie, Plinia aureana) possui frutos grandes, verdes, e é muito prolífica. A árvore possui porte de pequeno, com crescimento lento, podendo chegar a 6 metros de altura. (Foto: Gustavo Giacon)

 

Rajada

A árvore da variedade Rajada é bastante similar à variedade Paulista, mas de frutos menores e com coloração verde-bronze. Os frutos amadurecem um pouco antes da variedade Paulista. Para consumir os frutos, é necessário que eles estejam bem maduros, senão amarram demais a boca.

(Foto: Safari Garden)

 

Ponhema

Esta variedade se destaca pelo fruto apresentar um bico característico. Os frutos são grandes, de casca grossa, muito doces e ideais para a produção de geleias e compotas. A árvore possui grande porte, assim como a variedade Paulista. (Foto: Gustavo Giacon)

 

 

Jabuticabeira híbrida

Embora existam pouquíssimas publicações científicas sobre a caracterização desse tipo de jabuticabeira, é sabido que é uma planta originada do cruzamento natural de duas espécies. A jabuticabeira híbrida possui pequeno porte, com produção precoce de frutas e é capaz de frutificar várias vezes ao ano.

É uma espécie bastante comercializada, tão popular quando a jabuticabeira Sabará.

 

Normalmente, em São Paulo, a maioria das variedades de jabuticabeira florescem entre agosto e novembro, podendo haver mais de uma floração no ano dependendo do cultivo correto. Em diferentes regiões do Brasil pode-se notar florescimento em abril e maio, dependendo da espécie de jabuticabeira e variedade.

 

CULTIVO

Como já falamos, jabuticabeiras são árvores que amam água. Na natureza elas crescem em bosques abertos perto de rios e riachos, ou em áreas com chuvas bem distribuídas ao longo de todo ano, podendo haver períodos curtos de seca no inverno.

Quando cultivamos uma planta, devemos sempre buscar reproduzir o máximo possível do ambiente natural. 

 

Regas

Na natureza, as jabuticabeiras prosperam em locais com chuvas bem distribuídas ao longo de todo o ano, com redução da disponibilidade de água no inverno, mas sem secar totalmente. Nossa missão é reproduzir esse regime de chuvas com regas.

 

Com a popularização da fruta, as jabuticabeiras foram levadas para locais em que não ocorreriam naturalmente, como em terrenos arenosos e locais de clima seco. Se esse for o caso da sua localidade, certifique-se de sempre manter sua jabuticabeira bem irrigada.

 

Se você mora numa região de chuvas bem distribuídas e de inverno úmido, com chuvas semanais, você pode até suspender a irrigação da sua jabuticabeira nos dois primeiros meses do inverno, se ela for uma árvore plantada no chão e bem formada. Depois dessa pausa, é fundamental retomar a frequência de regas.

 

Se você mora num lugar de clima seco e sua jabuticaba está plantada num solo arenoso, que seca com facilidade, é importante regar sua árvore com frequência durante o ano todo, e reduzir um pouco a rega durante os dois primeiros meses de inverno. Depois desse intervalo de regas reduzidas, retomar a rotina de irrigação.

 

Se sua jabuticabeira for recém plantada ou for uma árvore ainda pequena, não faça a redução de regas. Mantenha a irrigação constante durante o ano todo, até que ela esteja consolidada. Geralmente a planta está consolidada após o terceiro ano de plantio, se forem árvore formadas, ou depois da planta atingir uma altura de 2 metros.

 

Essa recomendação está relacionada com observações empíricas, de que invernos mais secos, seguidos de chuvas constantes, promovem maior florada das jabuticabeiras.

 

Em uma pesquisa feita na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi avaliada a floração de jabuticabeiras (Plinia peruviana) após 22 dias de falta de água, seguido de irrigação. Como resultado, verificou-se que a rega abundante após esse período de seca favoreceu uma maior floração por maior tempo.

 

Em resumo: Para jabuticabeiras consolidadas, realizar irrigação constante ao longo de todo o ano, com um sustinho de seca no período de inverno, mas com o bom senso de não deixar a planta morrer por falta d'água.

 

Atenção: nunca deixe uma jabuticabeira em flor passar por falta de água. A falta de água durante a fase de florescimento pode prejudicar muito a formação de frutos. Se sua jabuticabeira florescer no período de inverno, mantenha as regas frequentes.

 

Jabuticabeiras em vasos não podem passar por falta de água, e precisam de regas frequentes, quase diárias, ao longo de todo ano. Isso porque a quantidade de terra ou substrato no vaso é muito limitada, com pouca capacidade de armazenamento de água para a planta. Mas cuidado! A jabuticabeira também não é uma planta aquática e odeia ficar com suas raízes afogadas. Certifique-se de que seu vaso possui dreno para escoar a água da rega.

 

Se você vai plantar uma jabuticabeira no seu terreno, é preciso garantir muita água para a sua mudinha (ou mesmo árvores grandes!) ao longo dos dois primeiros meses de plantio. Regue todos os dias pela manhã, e dependendo das características do solo e da temperatura ambiente, regue duas vezes ao dia.

 

Adubação

Martha Cristina P. Ramos, em sua tese de mestrado de 2016, aponta que ainda não existem dados concretos a respeito da nutrição mineral de jabuticabeiras, sendo que a maioria das adubações são feitas de maneira empírica. Ela coloca que essa ausência de informação sobre a demanda de nutrientes dificulta sustentar programas de adubação para as jabuticabeiras. Seu trabalho de mestrado sobre marcha de absorção de nutrientes em jabuticabeiras Sabará mostrou que existe uma grande preferência das plantas por Nitrogênio, Potássio e Cálcio, e no que se refere a micronutrientes, por Ferro, Zinco e Manganês.

 

A adubação com composto orgânico é uma das melhores pedidas para a jabuticabeira. O composto pode ser enriquecido com um pouco de calcário, para suprir a demanda de cálcio identificada na pesquisa citada acima, e adubo químico peletizado (de liberação lenta) com macro e micronutrientes, para proporcionar todos os elementos requeridos pela árvore. A utilização de adubo de liberação lenta é uma estratégia para que os nutrientes sejam liberados continuamente para a planta, sem serem "lavados" pela água proveniente da irrigação constante. A adubação de manutenção da jabuticabeira com composto orgânico enriquecido pode ser realizada através do mulch. Para saber melhor o que é mulch, CLIQUE AQUI para ler o artigo no blog.

 

Se sua jabuticabeira está plantada em área de gramado, o condicionamento do gramado com composto orgânico a cada 3 meses é um ótimo consórcio para garantir nutrientes para a jabuticabeira.

 

DOENÇAS

De modo geral, o problema que mais afeta as jabuticabeiras é a ferrugem. Ela é caracterizada pela presença de um pó alaranjado sobre os botões florais, e principalmente sobre frutos em desenvolvimento. A doença tem maior ocorrência em meses quentes e chuvosos.

Seu controle é simples, pela aplicação de defensivos cúpricos, como calda bordalesa. De todo modo, a ferrugem é uma doença que geralmente possui recorrência nas áreas afetadas. Outra medida que pode contribuir para reduzir a ocorrência da doença é a poda de alguns ramos para garantir maior arejamento no interior da copa.

(Foto: Marli Costa, via Globo Rural)

 

MEIO AMBIENTE

Jabuticabeiras são plantas-chave para um bom projeto de recuperação ou enriquecimento ecológico. Isso por que são plantas capazes de atrair e alimentar muitos polinizadores, além de seus frutos atraírem e alimentarem um grande numero de pássaros. A presença de pássaros numa área de recuperação ecológica é essencial para proporcionar o deslocamento de sementes diversas que eles trazem de outros locais e despejam pelas fezes.

As jabuticabeiras também promovem sombreamento do solo, o que proporciona o estabelecimento de outras espécies de árvores mais exigentes, favorecendo a sucessão florestal. (Foto: Leka Carvalho)

 

Ou seja, jabuticaba é TUDO de bom!

 

Se você precisa de acompanhamento para as suas jabuticabeiras ou gostaria de ter jabuticabeiras no seu jardim, entre em contato pelo e-mail contato@gabrielkehdi.com! Será um prazer lhe atender.

Bom plantio!

 

Referências:

http://www.scielo.br/pdf/rbf/v26n3/23150.pdf

http://www.scielo.br/pdf/gmb/v40n4/1415-4757-gmb-1678-4685-GMB-2017-0096.pdf

http://www.aptaregional.sp.gov.br/acesse-os-artigos-pesquisa-e-tecnologia/edicao-2012/janeiro-junho-2/1046-a-cultura-da-jabuticabeira/file.html?force_download=1

https://www.ctahr.hawaii.edu/oc/freepubs/pdf/F_N-20.pdf

https://www.hort.purdue.edu/newcrop/morton/jaboticabas.html

https://lume.ufrgs.br/handle/10183/155591

http://www.scielo.br/pdf/asagr/v33n1/v33n1a15.pdf   

https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ppgca/Dissertacao%20Martha%2019_2_16(1).pdf

http://www.scielo.br/pdf/pat/v48n2/1983-4063-pat-48-02-0118.pdf

 

¹ Necessita de confirmação sobre a espécie, pois há registros  indicando que P. jaboticaba pode ser um sinônimo heterotípico de P. cauliflora.

 

Imagem de capa: Guilherme Resende from Pixabay

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