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Terça de Projeto | Fachada de Edifício

November 21, 2017

Por mais simples que possam parecer, os jardins de fachada possuem detalhes críticos que precisam ser considerados. Confira!

 A terça de projeto de hoje trata de um jardim de fachada, e o estudo será sobre um sketch conceitual. 

 

A frente do prédio idealizado para este estudo possui um elemento muito importante para a alocação de árvores, e também para o deslocamento de pedestres: calçada larga. Consideramos para esse estudo uma calçada com largura de 3,60m, com espaço de sobra para equipamentos de serviço (postes de energia e luz), árvores, e acessibilidade.

 

Neste projeto há dois elementos principais: Árvores e canteiro. Veja como estão dispostos no sketch. Vamos tratar de cada um dos elementos em tópicos diferentes.

 

Árvores

Quando pensamos em adicionar árvores em nossos projetos de paisagismo precisamos tomar alguns cuidados, ainda mais quando as árvores de nosso projeto serão diretamente utilizadas na arborização de calçadas, praças, canteiros centrais e parques. Já falamos sobre os cuidados relacionados com a arborização, leia o artigo aqui

 

No município de São Paulo há uma lei que determina que toda árvore a ser plantada em logradouros públicos deve obrigatoriamente ser nativa e de ocorrência regional. Essa é a lei municipal 13.646/03, que estabelece as diretrizes para o plantio de árvores em áreas públicas. Regulamentando esta lei há a Portaria 61/SVMA/2011, em que há a lista de espécies nativas do município que deverão ser escolhidas de acordo com seus atributos (porte, largura de copa, se possui flores perfumadas, se tem frutos atrativos para a fauna, a ordem de sucessão ecológica, etc.) para melhor compor a arborização.

 

Em nosso estudo foi selecionado o Guatambu-mirim, também chamado de guatambu-oliva (Aspidosperma olivaceum), uma espécie da Mata Atlântica e que ocorre naturalmente na região metropolitana do município de São Paulo. Possui porte médio (de 10 a 15m de altura), copa estreita - o que é essencial para que a árvore não se deforme ao entrar em conflito com a fachada do edifício -, e crescimento moderado a lento, o que implica em uma madeira mais resistente. É também estabelecido na legislação paulistana que as mudas para o plantio em áreas públicas devem apresentar DAP (Diâmetro do tronco na altura do peito) de pelo menos 5cm e altura da primeira bifurcação em 1,80m.

 

Para que as mudas cresçam saudáveis, é recomendado que o canteiro não seja simplesmente limitado à um quadrado ao redor do tronco. Um canteiro contínuo apresenta maior área permeável e permite também a adição de outras plantas (forração) para enriquecer o tratamento paisagístico. Veja o exemplo ao lado.

 

A largura do canteiro também é um aspecto importante a ser considerado. O ideal é que a largura do canteiro seja pelo menos duas vezes maior do que o DAP máximo (auge do desenvolvimento) do tronco da árvore. Por exemplo, se um pau-ferro (Caesalpinia ferrea - que a propósito é exótica ao Estado de São Paulo) pode apresentar DAP máximo de 1m, convenhamos que esta não é a espécie indicada para plantar em um canteiro de 70cm de largura. Como o DAP máximo do guatambu-oliva gira em torno de 40cm, um canteiro com 80cm de largura é suficiente para atender as necessidades da árvore escolhida.

As mudas para plantio em áreas públicas devem apresentar DAP (Diâmetro do tronco na altura do peito) de pelo menos 5cm e altura da primeira bifurcação em 1,80m.

Canteiro

O canteiro a ser considerado para o plantio ornamental é estreito, o que limita as opções de plantas. Acompanhando o estilo Tropical Brasileiro, as espécies escolhidas foram a bromélia imperial (Alcantarea imperialis), a Helicônia bico de papagaio (Heliconia psittacorum) e a vedélia (Sphagneticola trilobata). Por mais que sejam todas brasileiras, não são de ocorrência espontânea no município de São Paulo. Um aspecto complicado de contornar é a disponibilidade de plantas herbáceas e arbustivas nativas regionais nos viveiros comerciais. Dessa forma, ficamos com as espécies mais disponíveis no mercado e que apresentam um grande apelo ornamental. Além de bela, a helicônia escolhida para o projeto é muito visitada por beija-flores e abelhas nativas, assim como a vedélia, que é muito apreciada por abelhas.

 

A irrigação é fundamental para o bom desenvolvimento das espécies e para o sucesso do canteiro, assim como uma boa drenagem e preparo do substrato. 

 

Com esse estudo podemos perceber a quantidade de detalhes necessários ao sucesso do nosso projeto. Agora você já tem mais alguns elementos básicos para considerar e deixar o seu projeto ainda mais sólido!

 

#paisagismopodesalvaromundo

 

Gabriel Kehdi

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